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Um ideal para atingir a mínima produção de lixo possível

Lixo Zero propõe redução de lixo para que descarte seja de, no máximo, 10% do total consumido. Para os 90%, a ideia é reaproveitamento 

Lixo… Zero? Pode parecer estranho à primeira vista, mas o pensamento lixo zero significa o que o próprio nome diz: nada de lixo. A ideia, que tem ganhado cada vez mais visibilidade no Brasil, questiona os hábitos de consumo ao mesmo tempo em que incentiva mudanças relacionadas ao processo de descarte.

O nome é uma tradução literal de Zero Waste, em inglês, e surgiu na década de 1970 em meio a processos para reaproveitamento de materiais nas etapas de produção entre empresas da indústria química. Ganhou forma em 2002, quando houve a criação da Zero Waste International Alliance (ZWIA), em português, Aliança Internacional do Lixo Zero.

Em linhas gerais, a proposta lixo zero consiste em aliar o menor consumo possível de resíduos ao mesmo tempo em que se aproveita ao máximo os que vierem a ser utilizados. Isto é, menos aquisições, uso prolongado e reaproveitamento do que vier a jogado fora. Entusiastas associam a ideia à uma meta, em que se deve buscar constantemente a redução.

O Instituto Lixo Zero Brasil, organização sem fins lucrativos relacionada à ZWIA, estipula que ser lixo zero é fazer com que no máximo 10% de todo o descarte seja lixo – material que não pode ser reaproveitado em qualquer processo produtivo. E que se tenha uma contínua ação para reduzir essa quantidade ao passar do tempo.

Lixo Zero é uma meta econômica, visionária, inovadora, que incentiva as pessoas a fazerem a segregação na origem. Na verdade é não formar lixo. É você dar o encaminhamento adequado para cada um dos resíduos que você gera”, explica o representante do Instituto Lixo Zero Brasil Kadmo Côrtes. O economista defende que todos os resíduos são passíveis para serem reaproveitados. Para isso, orienta o entendimento e aplicação dos famosos "três erres" da sustentabilidade: reduzir, reciclar e reaproveitar. 

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3 R's

considerada o primeiro passo, a redução consiste em diminuir o consumo, adquirindo produtos de mais qualidade e durabilidade. Alguns exemplos são: comprar alimentos a granel e não desperdiçar comida.

Reuso

a reutilização consiste em dar novas utilidades a materiais que já foram utilizados. Podem ser aplicadas, por exemplo, ao doar roupas que não se usa mais, optar por consertar algo, ao invés de adquirir novo e​ criar novas funções para um objeto para mantê-lo, ao invés de jogar fora.

Reciclo

trata-se de proporcionar materiais para a coleta seletiva para que possam ser reciclados pela indústria, gerando novos materiais a partir do já existente. 

no Lixo Zero, e em outras inciativas ligadas à sustentabilidade, outros 2 'r's também costumam ser empregados: recusar a compra de determinados produtos devido ao excesso de materiais ou processos produtivos aos quais estão relacionados e repensar, antes de adquirir um produto para que se evite algo que não é necessário.

Redução

ECONOMIA CIRCULAR

Um dos principais pontos defendidos pelo movimento Lixo Zero é a Economia Circular, uma ideia em que se pensa proporcionar um maior ciclo para todos os produtos e resíduos, reinserindo esses materiais em novas cadeias produtivas. Nessa concepção, não há "jogar fora" (o que não for lixo). Difere do modelo clássico, também chamado de linear, em que os produtos são descartados após o fim do uso para o qual foram produzidos inicialmente. 

Segundo o representante do Instituto Lixo Zero Brasil, Kadmo Côrtes, a economia circular é uma maneira de fazer com que "o resíduo que é encaminhado para descarte volte para a economia". Já o representante do Instituto em Brasília Kalleo Kopp aponta que o processo é naturalmente executado quando os produtos são encaminhados para a reciclagem. "Se eu mando para a reciclagem eu estou passando o resíduo para o próximo passo natural da economia circular. Esse material vai passar pela mão de um catador, esse catador vai passar para um revendedor, o revendedor vai mandar para a indústria, que vai ser um bem de consumo, que volta pra mim. Eu estou fechando o ciclo novamente", diz.

 

Confira abaixo as características dessa perspectiva econômica, e como difere do mecanismo tradicional (linear). Em seguida, vídeos em que os representantes explicam mais os pontos de vistas anteriormente citados:

economia linear.png
economia circular.jpg

O LIXO ZERO NO DISTRITO FEDERAL

O Instituto Lixo Zero Brasil chegou ao Distrito Federal em 2017, em meio a mobilizações de diferentes agentes ambientais e pessoas que estavam interessadas em discutir qual seriam as formas adequadas para o descarte de resíduos. Grupos de trabalho começaram a se reunir naquele ano, e em junho de 2018, contribuíram com a realização do Congresso Internacional Cidades Lixo Zero.

Desde então, o trabalho do Instituto tornou-se mais conhecido e ganhou voluntários e embaixadores no DF. Atualmente, são cinco membros oficiais, que assinaram uma carta de compromisso com as diretrizes do núcleo nacional, e centenas de voluntários. Assista um vídeo com a história deste movimento, e outros pontos relacionados pelo dirigente em Brasília, Kalleo Kopp.

As principais iniciativas ações do Instituto Lixo Zero é a realização da Semana Lixo Zero, um evento nacional em que ocorrem palestras, workshops e outras atividades relacionadas a questão do lixo zero. Em 2019, a semana ocorreu durante o mês de novembro, em mais de 100 cidades brasileiras. Um outro eixo de mobilização são os congressos, como o que ocorreu em Brasília em 2018. O DF também sediará uma nova edição do mesmo evento no próximo ano. As demais atividade são direcionadas por organização dos próprios mobilizadores, podendo diferir entre cidades e regiões.

Ainda em dúvida sobre o que é Lixo Zero?

Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo pela Universidade de Brasília. 2019.
 Autora: Lis Gabriela de Almeida Cappi;
Orientadora: prof. Dra. Dione Oliveira Moura

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